
terça-feira, 31 de março de 2009
segunda-feira, 30 de março de 2009
Such Great Heights de Postal Service
I am thinking it's a sign that the freckles
In our eyes are mirror images and when
We kiss they're perfectly aligned
And I have to speculate that God himself
Did make us into corresponding shapes like
Puzzle pieces from the clay
True, it may seem like a stretch, but
Its thoughts like this that catch my troubled
Head when you're away when I am missing you to death
When you are out there on the road for
Several weeks of shows and when you scan
The radio, I hope this song will guide you home
They will see us waving from such great heights,
"Come down now"... They'll say.
But everything looks perfect from far away,
"Come down now"... But we'll stay
I tried my best to leave this all on your
Machine but the persistent beat it sounded
Thin upon listening
That frankly will not fly, you will hear
The shrillest highs and lowest lows with
The window's down when this is guiding you home
sábado, 28 de março de 2009
Indicação Literária 2

Dessa vez vim falar duma obra que descobri num não-raro momento de navegação desproposital na internet. Lendo um pouco mais sobre o universo dos quarinhos, antecipando-me à nova mania hollywoodiana - a adaptação de HQ e Graphic Novels juvenis - quando deparei com uma experiência literária extremamente atraente.
Esse post é dedicado à indicação da obra "Lost Girls", de A. Moore e M. Gebbie, uma graphic novel erótica. Mas bem mais que arte rebuscada ou pornô, fascinei ao encarar a idéia de reler clássicos da lisergia secular com novos olhos.
A proposta foi repensar as aventuras de Alice (de Alice no país das Maravilhas e Alice no país dos Espelhos), Dorothy (d'O Mágico de Oz) e Wendy (de Peter Pan) não como fugas da realidade e contraversões à visão adulta, tido como socialmente correta, mas sim como experiências sexuais precoces.
Com metáforas legais e citações do momento histórico reconhecido como precedente à Primeira Guerra, a leitura dessa GN é encantadora e indispenável.
quarta-feira, 25 de março de 2009
"Heaven ad Hell" no Brasil

A lenda vem ao Brasil mais uma vez. Tony Iommi, Geezer Butler, Ronnie James Dio e Vinny Appice voltam ao Brasil trazendo o Heaven and Hell para uma série de apresentações no mês de maio.
A turnê pela América do Sul começa em 05 de maio na Colômbia. Depois o grupo se apresenta na Argentina e no Chile. O primeiro show no Brasil está agendado para o dia 10 de maio no palco do Chevrolet Hall, em Belo Horizonte. No dia 13 a banda se apresentará em Brasília, no Ginásio Nilson Nelson.
Na capital paulista o Heaven and Hell fará dois shows: dias 15 e 16 no Credicard Hall. A turnê pelo país termina com uma apresentação no Citibank Hall, no Rio de Janeiro, no dia 17 de maio. Informações sobre ingressos ainda não estão disponíveis. A informação foi divulgada em sites internacionais mas ainda não há confirmação nos sites das casas de shows.
Esta será a segunda vez que os quatro músicos se apresentarão juntos no Brasil. Eles estivem no país em 1992 durante a turnê do álbum “Dehumanizer”, do Black Sabbath. O Sabbath ainda tocou no país em 1994, com outra formação. O vocalista Ronnie James Dio já esteve no país diversas vezes.
A banda terminou recentemente as gravações do primeiro álbum de estúdio sob o nome Heaven and Hell e a revista Classic Rock teve acesso ao último dia de gravação no Rockfield Studios. Alguns dos títulos de músicas divulgados pela revista são “Rock n’ Roll Jesus”, “Breaking into Heaven”, “Bible Black”, “Double Pain” e “Atom + Evil”. O álbum deve chegar às lojas em abril, pela Rhino Records.
(notícia extraída do canal Rock Online, do portal Terra, publicado dia 7 de Janeiro de 2009)
terça-feira, 24 de março de 2009
Choir Vandals de the American Analog Set
Burned out like all
Cathie candles
Marked up with the
Choir vandals
Reading, "destroy, destroy, destroy"
Two-speed cycle
Streamered handles
Evenings with the
Roman Scandals
I just want to be someone you know
domingo, 22 de março de 2009
Exótico = Atraente

Estava assistindo a mais uma das obras-primas da Disney, Tarzan, e pensando o quão a proposta do grotesco nos desenhos animados se aproxima da idéia do exótico, mostrando a infatilização das relações ao se descartar os preconceitos. Não estou negando que não existe o medo ou a insegurança na hora de firmar o primeiro contato, mas sim de que a aproximação é exata e pacífica, sempre.
Tentando puxar pela memória, cheguei aos exemplos desde o absurdo, como o Peter Pan (que contraria a realidade), até o caricato, como o Quasímodo e o Fera (que fogem completamente do padrão humano de feição). Em todos os casos não existe o pavor do excêntrico. Todo mundo se adapta ao primeiro contato e passa a uma aproximação passional ao que é inédito, descreditando sua própria moral e realidade pela verdade do outro.
Bem bonitinho. Mas totalmente fictício.
sábado, 21 de março de 2009
Calvin and Hobbes


- Você já está fazendo o trabalho do colégio? Não era só pra quinta ?
- É, eu sei... Mamãe disse que as pílulas devem estar funcionando...
- Bem, é que está nevando lá fora e eu pensei que, talvez, a gente pudesse... Bem, eu não sei. Você que diz.
- Desculpa, eu não estava escutando. Eu realmente tenho que terminar isso.
....
- Vamos velho amigo, dá um tempo.
[ ]s!
quinta-feira, 19 de março de 2009
APCM strikes back

É com um certo atraso - mas ainda sim com um grande pesar - que venho comentar o fechamento da comunidade Discografias, do Orkut, onde posts remissivos indicavam à downloads de CDs completos de diversas bandas. O que deveria, ao meu ver, ser visto como um serviço essencial e universal.
Como forma de conter a vazão de material (o que legalmente é chamado de distribuição) e a violação de direitos autorais (que são uma fatia gorda de dinheiro que volta pras produtoras e gravadras) a Anti-Pirataria de Cinema e Música (ACPM) começou uma série de pressões nos moderadores e donos de todas comunidades afins, como a "Trilha sonora de Filmes" e "Trilha sonora de Novelas", levando todas ao colapso, como forma de evitar embates jurídicos épicos -em que seriam massacrados, indubitavelmente.
É sempre difícl discutir o compartilharmento virtual e o uso de direitos de detenção e reprodução de mídia. Mas concordemos que simplesmente não dá pra se conehcer uma banda, mesmo que uma vez indicada por conhecidos de gosto confiável, comprando seu CD novo de R$ 80 numa loja.
Deve-se ter a idéia de que a forma de venda de mídia gravadas em discos físicos é antiquada e, em era de digitalização total, totalmente inapropriada à expansão comercial. E o sistema de venda digital, como fornecidos no iTunes e semelhantes ainda carece de melhor formalização.
Fica aí uma coisa a se pensar: como viabilizar lucros aos artistas com seu trabalho e levá-lo à todo mundo, com o menor encargo abusivo possível? Como conciliar baixo custo de produção e baixo custo de venda, maximizando vendas com a multiplicação de clientes?
segunda-feira, 16 de março de 2009
I Love my Computer - Bad Religion
I love my computer you make me feel alright
Every waking hour and every lonely night
I love my computer for all you give to me
Predictable errors and no identity
And it's never been quite so easy
I've never been quite so happy
(Chorus)
All I need to do is click on you and we'll be joined in the most soul-less way
And we'll never ever ruin each other's day 'cuz when I'm through I just click
And you just go away
I love my computer you're always in the mood
I get turned on when I turn on you
I love my computer you never ask for more
You can be a princess or you can be my whore
And it's never been quite so easy
I've never been quite so happy
(Chorus)
The world outside is so big but it's safe in my domain
Because to you I'm just a number and a clever screen name
All I need to do is click on you and we'll be together for eternity
And no one is ever gonna take my love from me because I've got security,
Her password and a key
sexta-feira, 13 de março de 2009
O Curioso Caso de Benjamim Buton
Duas cenas na primeira meia hora de O Curioso Caso de Benjamin Button indicam que o filme poderia surpreender. Em uma delas vemos Queenie (Taraji P.Henson) descobrindo um milagre, "não como se espera": o corpo de um bebê envelhecido como uma uva passa. Mais tarde, esse bebê rejuveneceu alguns anos, e encontra o amor de sua vida debaixo de uma mesa, à luz de uma vela. Belíssimo momento de captação do olhar da menininha que crescerá Cate Blanchett. Infelizmente, quanto mais vemos o pequeno monstrinho se transformar em Brad Pitt mais chato o filme fica.
David Fincher continua com a mania boba de repetir indicações para não perder o espectador. Em Zodíaco, eram os malditos biscoitos em forma de peixe (ou coisa que o valha), que o infantilóide do personagem de Mark Ruffalo passa anos comendo. Em Benjamin Button é o senhor que sempre comenta que foi atingido sete vezes por um raio. Na primeira vez, temos duas dessas visões. Como o filme irá repetir isso até o final, ficamos com a certeza de que as outras visões viriam mais cedo ou mais tarde. Nada errado com esse procedimento se acompanhar a trama já não fosse um certo sacrifício.
Um tema como esse que o Fincher abordou, baseado num conto de F.Scott Fitzgerald, não me parece pedir esse tratamento "realista". Bem entre aspas o realista, porque um bebê nascido velho e rejuvenescendo com o passar dos anos é tudo menos realista. Mas supondo que isso pudesse acontecer, todo o tratamento dado para os personagens que se envolvem com ele fazem com que sejam mais interessantes do que ele próprio, e isso não foi culpa do Brad Pitt.
Tomemos como exemplo a Queenie. Quanto mais ficamos distantes de seus olhos grandes e sedentos de afeto e cuidado, mais o filme se torna desinteressante. O mesmo acontece com a Daisy de Cate Blanchett, que quanto mais envelhece mais enfadonha fica (de novo, não é culpa da atriz). Ou com o capitão do navio. Benjamin parece um anjo, sem defeitos, sem um momento de raiva, dor, revolta. Um justo, sempre, assim como todos os que o rodeiam. Mas todos envelhecem como a gente, Benjamin não. Logo, esse tratamento demasiado humano dado ao personagem simplesmente não cola.
Em Raros Sonhos Flutuantes, filme de Eizo Sugawa que tem uma trama bem parecida, não se chega tão perto de um realismo, a não ser, claro, no comportamento dos personagens nos momentos específicos que o filme escolheu mostrar. Mas a simples escolha dos momentos obedece a uma lógica nada realista, pois está calcada na fantasia. Nada é explicado também, pelo que lembro. Vemos somente um caso de amor ameaçado por dois caminhos que vão em direção oposta: enquanto um envelhece, a outra rejuvenesce, e não há idade que interrompa esse amor (daí o escândalo, mas também a beleza). O desejo é mais forte que a consciência, e a pungência não vem apenas de uma melodia óbvia tocada no piano, mas da cruel situação que é um obstáculo ao pleno desejo. Tudo é efêmero, mas não se abandona, nem se teme o desejo, essa é a principal diferença.
Benjamin Button, ao contrário, mostra desejos sendo represados o tempo todo, e carrega demais nas notas açucaradas de piano, na voz ensopada da narradora no final do filme (Daisy, agonizando no hospital), no desejo de capturar a emoção do espectador a qualquer custo.
Sei não, mas prefiro Se7en e Vidas em Jogo a esses dois últimos e elogiados filmes do Fincher. E a safra do Oscar está um horror, já que Slumdog Millionaire também é um fiasco e O Leitor é abaixo da crítica.

Já que ninguém mencionou a semelhança entre O Curioso Caso de Benjamin Button, de David Fincher, e Raros Sonhos Flutuantes (1990), de Eizo Sugawa, sinto-me na obrigação de homenagear aqui um dos maiores diretores japoneses, e um dos mais injustiçados também.
No filme de Fincher, que ainda não pude ver, Brad Pitt nasce velho e vai rejuvenescendo. É baseado num conto de F. Scott Fitzgerald, e tudo leva a crer que Fincher, mesmo se tiver feito seu melhor trabalho, não tenha chegado aos pés de Sugawa em sua derradeira obra, em que um homem de meia idade conhece uma idosa num hospital, e com o passar dos dias essa senhora vai rejuvenescendo até virar uma menininha.
Raros Sonhos Flutuantes (Tobu Yume Wo Shibaraku Minai), feito dois anos depois de O Rio dos Vagalumes (um dos filmes da minha vida), tem uma infinidade de planos antológicos, com destaque para o último, a caminhada de mãos dadas entre o homem e a menina, pequenina, com os dois se afastando da câmera.
O filme de Sugawa é baseado num romance de Taichi Yamada, e foi exibido uma única vez no Brasil, na 20ª Mostra Internacional de São Paulo, em 1996. Curiosamente, essa obra-prima, assim como a anterior, O Rio dos Vagalumes, não está disponível em lugar algum, nem no Japão - a não ser em fitas VHS mofadas, mas nem mesmo assim foi encontrada por um amigo que viaja sempre para lá. Já o filme do Fincher, qualquer dia eu encaro. Se for 10% do que é o do Sugawa, já ficarei bem feliz.
(por Sérgio Alpendre)
quarta-feira, 11 de março de 2009
segunda-feira, 9 de março de 2009
Volta às aulas

Hoje reiniciaram as aulas da UFG.
E, pra variar, o primeiro dia é cheio de gente nova que logo-logo vai desistir e desiludir, cair na desgraça da rotina e deixar-se convencer que escolheu erroniamente o curso.
Pode parecer uma visão preconceituosa, mas é a sina da Ciências da Compurtação, o receptório dos mais juvenis e promessores proto-nerds, que acham que a diversão pode-se confundir com o trabalho na área digital.
Que engano...... =(
Acho que é só isso que se tem pra falar por enquanto.
sábado, 7 de março de 2009
Merdas acontecem ....
Tento não me convencer do egocentrismo natural inerente à toda pessoa em problemas, mas não consigo parar de pensar naquele jargão: "por que isso está acontecendo comigo?"
Explicações elaboradas à parte (já que não tenho intimidade com você, leitor, já que nunca se manifestou antes nas outras postagens), prefiro dizer só que existe um fator sistemático que faz tudo o que me acontece ser como uma resposta automática das escolhas que fiz/faço.
Logo, o tema desse post não é me lamentar ou bater minha cabeça no muro virtual das lamentações que meu blog poderia se tornar. Mas deixar o pensamento mais íntimo que tive sobre toda a recente merda que me atormenta.
Dá até mesmo uma vontade de acreditar num julgamento supremo e inviolável. Diz-se que "aqui se faz, aqui se paga" e que "a voz do povo é a voz de Deus". Então, por silogismo lógico, existe uma forma divinal que te julga, condena e avisa implicitamente que lhe fará isso.
Não queria enfatizar um moralismo hipócrita, mas sim focar a necessidade de dizer que o Universo é a máquina mais fascinante que existe, porque ele consegue retribuir em ações & reações suas reações & ações à aleatoriedade gigantesca de acontecimentos que é uma vida humana, comfortável e miserável, em todos seus sentidos.
É... Merdas acontecem....
quinta-feira, 5 de março de 2009
Ode ao Oftamologista
Fitei-me no espelho e me apavorei
muito procurei mas não achei nada
"Será que estou perdendo minha identidade ?"
Que nada! Só tenho a pupila dilatada....
(Rafael Souza Oliveira)
Me convenço que a visão é o instinto mais necessário à vida cotidiana.
E devido esforço que estou fazendo com minha pupila ainda dilatada, o resto da narrativa épica sobre uma tarde pós-insone e cego de um nerd viciado em seu computador.
terça-feira, 3 de março de 2009
Indicação Literária
Longe da narrativa frenética e oralizada dos livros que me conquistaram há pouco tempo (como F. Kafka ou L. Carrol), é a inquietude e a renovação de perspectivas de "O APANHADOR NO CAMPO DE CENTEIO" (The catcher in the rye -no original) , de J.D. Salinger, que me atrai tanto.
Publicado em forma de revista em 1945 e como livro em 1951, é um clásscio universal e obrigatório no estudo literário dos países de língua inglesa.
A seguir, a análise feita no site burburinho, assinada pelo blogueiro Nemo Nox:
"The Catcher in the Rye conta, numa narrativa em primeira pessoa, alguns dias na vida do adolescente Holden Caulfield, que acaba de ser expulso da sua terceira escola bem às vésperas do natal, nos EUA do pós-guerra. Numa linguagem simultaneamente criativa e coloquial (o que dificulta a vida dos tradutores), Caulfield vai revelando, aos poucos, algo sobre o seu passado, sua família e seus conhecidos, ao mesmo tempo em que vagueia por New York pulando de uma encrenca para outra. E, para alguém entediado e deprimido como ele, nada melhor que uma encrenca para manter o interesse.

O texto segue a linha joyceana do fluxo de consciência, com as frases jorrando aos borbotões como se saídas diretamente da cabeça do narrador, saltando de um assunto para o outro sem grande cerimônia, parecendo obra do acaso. (Na verdade, tudo isto é planejadíssimo, e existe até mesmo um capítulo no qual, sob uma sutil máscara, é discutido o papel das digressões na narrativa.) Em The Catcher in the Rye o fluxo de consciência funciona particularmente bem, pois permite expressar a instabilidade emocional do protagonista não somente no conteúdo da narrativa mas também em sua forma.
Holden Caulfield é ao mesmo tempo o herói e o vilão da história. Vítima de si próprio e de sua sensibilidade ao que o cerca, divertidamente mentiroso, assumidamente covarde, parece buscar uma espécie de redenção ajudando desconhecidos e cultuando sua irmãzinha de dez anos. Mas o que realmente o incomoda é o vazio e a falsidade das pessoas, que por mais promissoras que pareçam sempre acabarão por se revelar como mais uma decepção. Isto não faz de The Catcher in the Rye exatamente uma leitura animadora, mas ainda assim existe algum resquício de inocência e ingenuidade infantil em Holden Caulfield, e também um humor (negro, é claro), que não deixam o livro afundar num poço de pessimismo e depressão."
Curiosidade final: Mark Chapman, o assassino de John Lennon, levava uma cópia em formato de livro de bolso durante seu crime.
segunda-feira, 2 de março de 2009
Pensata - 26/01/09
(por João Pereira Coutinho, texto retirado integralmente do sítio da Folha de São Paulo, em 26 de Janeiro de 2009)
13 de janeiro
A estupidez humana não cessa de me espantar. Leio na imprensa do dia que uma associação "humanista" da Grã-Bretanha lançou em Londres uma campanha pública para defender a provável inexistência de Deus. A ideia foi escrever nos ônibus da cidade duas frases de arrasadora profundidade filosófica: "Deus provavelmente não existe. Por isso, deixa de te preocupar e aproveita a vida".
A tese espanta, não apenas pela infantilidade que a define --mas pela natureza ilógica que a contamina. Se Deus não existe, haverá necessariamente motivos para celebrar?
Os mais radicais "philosophes" do século 18 concordariam que sim. O próprio projeto iluminista, na sua crítica à instituição religiosa como autoritária e obscurantista, defendia que a libertação dos Homens passava pela libertação do divino. Nem todos os "philosophes" eram ateus, é certo: Rousseau ou Diderot, impenitentes "deístas", não são comparáveis a La Mettrie ou Helvétius. Mas o iluminismo continental abriria a primeira brecha na cultura ocidental, ao retirar a Fé do seu trono e ao coroar a deusa Razão.Foi esse gesto primordial que tornaria possível as devastadoras críticas posteriores do trio maravilha (Feuerbach, Marx e Freud). Deus criou os Homens? Pelo contrário: Deus é uma criação dos Homens por razões várias e todas elas racionalmente explicáveis.
Os Homens criaram Deus por temerem a sua própria mortalidade (Feuerbach). Os Homens criaram Deus por contraposição às condições materiais das suas existências precárias (Marx). Os Homens criaram Deus por puro sentimento de culpa: parricidas arrependidos, eles buscam ainda uma autoridade perdida; Deus é o "fétiche" infantil de quem se recusa a viver uma vida adulta (Freud).
Infelizmente, aparece sempre alguém para estragar a festa. Falo de Doistóievski, claro, disposto a contrariar o otimismo liberal da burguesia russa oitocentista, para quem Deus era um empecilho de modernidade. Pela boca de Karamazov, Dostoiévski formularia a pergunta que Feuerbach, Marx, Freud e também Nietzsche se recusaram a enfrentar: e se a ausência de Deus significa também a ausência de qualquer limite ético para a acção humana?
Essa possibilidade seria confirmada no século seguinte: um século devastado por grandes construções coletivistas, utópicas e rigorosamente ateias que libertaram um fanatismo e uma crueldade indistinguíveis do fanatismo e da crueldade das antigas religiões tradicionais.
Quando os Homens não acreditam em Deus, eles não passam a acreditar em nada; eles acreditam, antes, em qualquer coisa, como dizia profeticamente Chesterton. Antes de festejarmos a provável inexistência do barbudo, convém saber o que essa coisa será.
